quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Mostra SP 2021: ASSIM COMO NO CÉU (2021, de Tea Lindeburg)


Apesar de ser um filme que faz uso muito expressivo das cores, trata-se de uma obra que transmite com precisão a hipertrofia acinzentada do luteranismo enquanto propósito implantado de vida em sociedade: todo lastro de rudeza, frieza e secura que associamos à "ética protestante" encontra aqui a sua contrapartida feminina, num registro muito doloroso do que já é confirmado desde o título. Na abertura, a protagonista Lise (Flora Ofelia Hofmann Lindahl, extraordinária) depara-se com nuvens avermelhadas que formam-se no céu para onde convergem as flores de dente-de-leão que ela desmancha com seu sopro. Chove sangue, abruptamente: é um prenúncio do que virá a seguir!


Num contexto em que as advertências oníricas são muito mais respeitadas que a Ciência, Lise é hostilizada por querer estudar, ainda que este anseio tenha provindo de sua mãe (Ida Cæcilie Rasmussen), que está grávida mais uma vez. Elas vivem numa comunidade rural, e os trabalhos destinados às mulheres parecem inextinguíveis. Como é a mais velha das crianças - já uma adolescente, em verdade - cabe a ela a responsabilidade de cuidar dos irmãos menores. Porém, ela começa a experimentar desejos íntimos: sente-se atraída por um rapaz criado por sua família e percebe gradualmente que as negociações com Deus, realizadas através das orações passadas de geração em geração para a sua família, são vãs: "Pai nosso que estás no Céu, (...) seja feita a Tua vontade"...


Por motivos óbvios, pensamos na filmografia de Carl Theodor Dreyer [1889-1968] durante a sessão, sobretudo em sua obra-prima "A Palavra" (1955), mas num viés que ressignifica os temores e tremores kierkegaardianos: o ritmo aqui é bem mais frenético, os gritos de dor são bem mais agudos, e os milagres são tolhidos pela realidade implacável das tarefas campesinas. A despeito disso, Lise e sua infinidade de irmãos e primos brincam avidamente, em seqüências abrilhantadas pelo uso magistral da câmera na mão. Conscientes dos males iminentes, as crianças tentam inverter a malevolência do que as circunda, imaginando até mesmo "as coisas boas que se seguem após a morte da mãe". Entretanto, é a impavidez das senhoras mal-humoradas que instala-se como regra: ao perceber que sua avó não está chorando, Lise pergunta o porquê. Ela responde sem titubear: "depois que se enterra mãe, pai, marido e dez filhos, não há mais lágrimas a verter". O que surge como consolo num contexto religioso como este?



Wesley Pereira de Castro. 



quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Mostra SP 2021: SANGUESSUGAS - UMA COMÉDIA MARXISTA SOBRE VAMPIROS (2021, de Julian Radlmaier)

No segundo dos três capítulos deste filme, acontece algo muito importante, em termos narrativos: depois de ser acusado de não possuir cultura literária e, portanto, ser incapaz de julgar adequadamente os sentimentos humanos, o assistente vegetariano Jakob (Alexander Herbst) pega emprestado o romance proustiano que sua patroa - por quem é apaixonado - lia e resolve, a partir daí, contar ele próprio a sua história (e a dos outros), imitando o fluxo de consciência do personagem central do hepteto "Em Busca do Tempo Perdido". Deste momento em diante, fica evidente que ele é uma espécie de alter-ego satírico do próprio realizador, ostensivamente erudito. Convertido em "mão invisível", numa situação posterior, alguém pergunta a Jakob como é estar morto. Sua resposta: "bem melhor, pois observo as pessoas com maior atenção, por não estar mais apegado à vida". É uma piada, claro - e também uma autocrítica!


Em verdade, o filme é repleto de chistes desse tipo, incluindo aquele que aparece antes mesmo dos créditos iniciais, quando um grupo de estudos marxiano acha equivocada a associação pretendida pelo autor entre os capitalistas e os vampiros. Há um interesse escuso nesta provocação, de modo que o roteiro não esconde a sua predileção pelas contradições de classe - marca registrada da ainda breve porém chamativa filmografia do diretor. Desde o início, sabemos que a bela e generosa Octavia (Lilith Stangenberg) é, de fato, tanto uma capitalista quanto uma vampira, não sendo casual que, em dado momento, ela demonstre-se frustrada em relação ao amor, pois crê que este sentimento baseia-se na presunção de interesses, o que, paradoxalmente, é o que salva-lhe a vida, quando os moradores da região passam a suspeitar que ela seja uma hematófaga legítima. Há evidências disso, mas uma filmagem ficcional ofertada como documental faz com que um inocente seja punido em seu lugar. As autocríticas do cineasta não param!


No primeiro dos capítulos, somos apresentados ao "cavalheiro sem classe" Ljowushka (Aleksandre Koberidze), que, por estar vestindo o figurino de uma produção eisensteiniana de que participou, é confundido com um barão. Mesmo revelando a Octavia as condições de sua fuga da Rússia - e admitindo que é um proletário -, ele é acolhido por ela, o que faz com que os anseios platônicos de Jakob sejam abandonados. Ex-camponês que converteu-se em refugiado político, este personagem trai os seus próprios ideais de juventude, ao conviver prolongadamente com os pequenos-burgueses que tanto odeia. O desfecho confere melancolia à comédia até então representada, fazendo com que reflitamos sobre as incongruências da contemporaneidade. Mui provocativamente, o diretor serve-se de inúmeros recursos propositalmente anacrônicos (a abertura de uma lata de Coca-Cola, numa mesa de jantar aristocrática em 1928, por exemplo) e de cacoetes estilísticos que já foram demonstrados no curta-metragem "Um Conto de Inverno Proletariado" (2014). Os títulos de seus filmes evidenciam as suas intenções paródicas, demonstrando que ele pesquisou a fundo os livros que cita. Um gênio em formação, talvez?



Wesley Pereira de Castro. 

 

Mostra SP 2021: AMANHECER (2020, de Dalibor Matanic)


O caráter de fábula invertida deste filme requer alguma compreensão, por parte do espectador, em relação aos conflitos que ocorreram nos países da antiga ex-Iugoslávia, no sentido de que os diálogos gritados entre os personagens parecem derivados das traumáticas guerras civis da região balcânica. A origem conturbada da esposa do protagonista, Ika (Tihana Lazovic), que é cristã e está vinculada a uma conformação político-nacional oposta à de Matija (Kresimir Mikic), reforça este indício. O que fica ainda mais acentuado quando homônimos de seu marido passam a chegar ao local onde eles vivem, com a intenção de usurparem a sua residência. O roteiro não explica em minúcias a razão dessa rapacidade anunciada: cabe ao espectador interpretar!


Malgrado iniciar com uma seqüência de sexo consensual entre o casal protagonista, as tensões familiares são logo estabelecidas: a adolescente Kaja (Lara Vladovic) observa os pais transando e chama seu irmãozinho Nikola (Max Kleoncic) para que ele também assista ao coito. Quando sai de casa para respirar, Matija percebe que a sua propriedade está sendo invadida: alguém que alega possuir o mesmo nome que o seu constrói uma casa ao lado da sua. Em breve, ele exigirá também a sua família. E não será o único. Por quê? Mais uma vez, a História explica... 


Situada no ano 2021 (posterior à época de seu lançamento oficial, portanto), a trama deste filme instaura um perene clima de suspense, com traços de ficção científica: Matija trabalha como consertador de antenas, e é responsável pela programação musical que é executada nos aparelhos radiofônicos locais. Sua filha gosta muito de dançar, da mesma maneira que os jovens simpatizantes do fascismo que ela encontra numa 'rave' homicida. Há um membro desaparecido na família e uma constante troca de acusações entre Matija e Ika. O ritmo sobremaneira lento do filme retroalimenta a angústia, no que tange à falta de explicações sobre a violência iminente. Na letra da recorrente canção "Ako Je", da banda Pridjevi, a  pergunta-chave: "se a vida é um sonho, quem de nós sonha com isso?". Encontramos uma resposta possível - ainda prestando atenção à letra - nos comportamentos controladores de Kaja, que carrega seus fones de ouvido para todos os lugares, enquanto sua mãe é tachada de descrente: "talvez eu seja um deus, eu tenho que ser um deus". Ao final, o medo permanece: nos olhares de quem foge, o desespero - e também resquícios de ódio! 



Wesley Pereira de Castro. 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Mostra SP 2021: NA PRISÃO EVIN (2021, de Mehdi Torab-Beigi & Mohammad Torab-Beigi)


Partindo do pressuposto teórico de que a identificação primária do espectador é em relação à câmera, os realizadores deste filme utilizam um procedimento até hoje poucas vezes adotado no cinema, que é a narrativa integralmente conduzida pelo olhar subjetivo de um personagem, que é visto apenas através de relances. Levado a cabo anteriormente por cineastas tão distintos como Robert Montgomery e Walter Hugo Khouri - e, em partes, Paul Verhoeven -, este procedimento requer muita observação acerca de como os objetos e os coadjuvantes são dispostos ao redor da pessoa protagonista, que, neste caso, é refletida em mais de um espelho quebrado. Trata-se de uma metáfora óbvia para a condição da atormentada Amen (Mehri Kazemi), cuja voz ouvimos do início ao fim e que anseia por uma cirurgia de redesignação sexual... 



A audição ostensiva da voz dessa personagem é essencial para o desenvolvimento tramático, pois ela foi escolhida para uma determinada função justamente por suas características vocais: um magnata que comporta-se como gângster (Mahdi Pakdel) deseja que Amen finja ser a sua filha por algum tempo, mas não revela com sinceridade as condições embutidas nesse processo. Pouco a pouco, Amen perceber-se-á diante de um dilema sobremaneira delicado: permanecer sentindo-se presa num corpo de homem ou poder ser efetivamente uma mulher, porém reclusa numa penitenciária? O filme reforça este dilema através de metáforas visuais um pouco óbvias, como os já mencionados espelhos partidos e o documentário sobre lagartas recolhendo-se em casulos a que ela assiste na TV. O agravante: é perceptível que (quase) todos ao seu redor estão mentindo, inclusive a amiga que apresentou-lhe ao falso benfeitor!


Se, por um lado, parece inusitado que uma produção iraniana traga como temática central o transexualismo, por outro, o roteiro aborda o tema sem preconceito ou exotismo, inclusive enfatizando que há leis federais que autorizam a cirurgia hospitalar de mudança de sexo, sem que hajam reprimendas religiosas neste sentido. Para os espectadores ocidentais, isso é algo deveras inusitado, mas a trama põe este aspecto em segundo plano: o que está em evidência é a situação policialesca em que Amen se envolve, que desencadeia uma série de questionamentos morais e individuais. Sua aparência é imageticamente constituída de maneira parcimoniosa, através de 'close-ups' em sua mãos esfoliadas ou nas unhas pintadas de seus pés. O desfecho deixa em aberto a consecução da negociação-chave que parte de Amen, visto que, como diz um dos visitantes do magnata, "ela possui a resistência dos homens e a paciência das mulheres". O que ela propõe (ou a que ela se submete) é o requisito definitivo para experimentar a condição feminina em seu país? Mais uma válida metáfora é erigida, portanto. 


Wesley Pereira de Castro. 

Mostra SP 2021: LISTEN (2020, de Ana Rocha de Sousa)


Num primeiro momento, tem-se a tentação de comparar este filme com o já clássico "Ossos" (1997, de Pedro Costa), por causa das sinopses semelhantes e do enfoque nas questões (des)empregatícias. O olhar da diretora estreante em longas-metragens é bem menos sisudo, entretanto. Chega mesmo a flertar com os filmes hollywoodianos de tribunal, ao fazer-nos torcer para que a abnegada Bela (Lúcia Moniz) obtenha êxito nas declarações públicas de que seus filhos "não estão à venda". Apesar de sua simplicidade e da curta duração, o filme evita as soluções fáceis: no desfecho, o que vemos é uma porta recém-fechada.


O título original em inglês é multiplamente oportuno, pois, além de estarem na Inglaterra, o casal protagonista esforça-se para ser ouvido, ou seja, para que as suas reivindicações afetivas sejam compreendidas por um sistema burocrático que gaba-se da extrema pontualidade mas não hesita em pagar pessoas para que adotem os filhos de outras. A energia compreensivamente agressiva que Bela demonstra nas cenas em que enfrenta a rigidez das autoridades britânicas agiliza o processo de identificação emocional do espectador, mas é a garotinha Lu (Maisie Sly) quem cativa de imediato o nosso apreço. Afinal, cabe a ela o significado mais urgente do título. Deficiente auditiva após um contágio de meningite pelo qual seus pais são injustamente responsabilizados, ela reensina-nos a ver: enquanto a mãe desespera-se entre pequenos frutos e a rotina puxada como diarista, ela olha para o céu e faz uso de uma percuciente sensibilidade no modo como focaliza aquilo que lhe faz bem...



A trilha musical de Bernardo Bento é impregnada de ternura, o que manifesta-se também na belíssima canção dos créditos finais ["Hold my Hand", cantada por Nessi Gomes], que permanece muito tempo afagando-nos após a sessão. A montagem é um tanto abrupta no modo como acompanha, de maneira eventualmente distanciada, os recursos advocatícios de que Bela e seu acabrunhado marido valem-se para rever os filhos. Há algo de protocolar no desenvolvimento fílmico, como se ele obedecesse narrativamente a convenções melodramáticas dominantes. Mas tudo isso é justificado pela relevância social do enredo, que é assaz gracioso e pertinente, além de relacionado ao grande júbilo que a diretora sente por também ser mãe! 



Wesley Pereira de Castro. 

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Mostra SP 2021: EU VEJO VOCÊ EM TODOS OS LUGARES (2021, de Bence Fliegauf)


Dando continuidade a um experimento que o próprio diretor havia realizado em 2003, este segundo exercício dramatúrgico envolvendo tramas tipicamente budapestenses impressiona pelo modo como são urdidas situações que aparentemente não possuem nenhuma conexão entre si, exceto pelo ambiente citadino: os personagens, em sua grande maioria, são aquisitivamente favorecidos e, mesmo encolerizados, retraem o tom de voz, falam baixo, ainda que não escondam o rancor. Isso é sobremaneira perceptível no primeiro dos diálogos, em que a jovem interpretada por Lilla Kizlinger apresenta um relatório de culpabilidade para o seu pai, responsabilizando-o pelo acidente automobilístico que matou a mãe dela e provocou a amputação da perna de uma jovem desconhecida. A longa seqüência é caracterizada por muitos planos e contraplanos, geralmente fora do eixo. Os 'close-ups' nas mãos são comuns, e serão reiterados ao longo das seis estórias restantes... 


Adotando uma tensão monocórdia entre os personagens - inclusive no segmento que envolve uma bruta aproximação sexual entre um usuário de cocaína (Péter Fancsikai) e a esposa de seu pai moribundo, que é interpretado pelo músico habitual dos filmes de Béla Tarr, Mihály Víg -, o diretor surpreende-nos com os estrondos vocais que ocorrem na quinta seção, em que um garoto ateu (vivido pelo filho do diretor, János Fliegauf) é confrontado por sua mãe fanaticamente cristã quando ele pede para dormir na casa de um amigo, onde pretendia participar de um jogo de representação. A mãe não aceita que o garoto demonstre interesse por seres mitológicos e fantásticos, ao que o menino rebate com um argumento genial: "Deus é um assassino tão sanguinário quanto Adolf Hitler ou Mao Tsé-Tung. A diferença é que ele não existe"!


Dentre os episódios dramáticos, o segundo (sobre uma mulher ciumenta que não aceita que seu namorado visite uma ex-amante) e o terceiro (sobre um casal que não consegue superar a falta de filhos) são os menos inspirados, no sentido de que perpetuam um tipo de contenda prioritariamente vinculado aos ressentimentos pequeno-burgueses, mas, daí por diante, o filme prossegue num crescendo de emoções, culminando no flagrante de um homicídio contratual por uma criança e na abertura de uma porta, onde o sobejo de luz que invade o ambiente propõe uma reconciliação benfazeja entre pessoas de diferentes gerações, antecipando a versão 'indie' de uma canção da banda The Cure que é executada nos créditos finais. O estranhamento intenso que o filme causa ao longo de sua duração é gradualmente sedimentado nas memórias espectatoriais, de modo que o subtítulo passa a fazer pleno sentido: como esquecer aquelas pessoas amarguradas depois de tudo o que testemunhamos?!


Wesley Pereira de Castro. 

 

Mostra SP 2021: CAPITÃES DE ZAATARI (2021, de Ali El Arabi)


Mesmo quem não aprecia futebol sentir-se-á bastante tocado pela sensibilidade com que o jornalista egípcio Ali El Arabi converte a história de dois refugiados sírios num documentário sobre a importância dos objetivos lúdicos no enfrentamento rude do dia a dia. Fawzi Qatleesh e Mahmoud Dagher são melhores amigos e ambos são exímios futebolistas. A diferença de idade entre eles é de apenas um ano, mas isso surge como impedimento inicial para que Fawzi seja selecionado para um treino decisivo no Qatar. Mahmoud vai sozinho, apreensivo e deslumbrado. Até que uma nova oportunidade permitirá o reencontro entre eles, que será televisionado e transmitido para os seus familiares, que estão no enorme campo de Zaatari, na Jordânia... 


De curta duração (apenas 73 minutos), este filme acerta ao equiparar o seu enfoque ao modo um tanto ingênuo como os dois amigos enxergam o mundo. Evita-se, portanto, as mensagens grandiloqüentes: "o que os refugiados precisam é de oportunidades, não de pena", diz Mahmoud, numa entrevista. Mas é difícil ter sonhos quando a realidade parece tão irremediavelmente opressora: ciente de que a educação pode assegurar um futuro melhor à sua família, Fawzi insiste para que sua irmãzinha Rose aprenda Inglês, enquanto pensa numa maneira de trazer seu pai para o local onde eles estão. Quando isso acontece, descobre-se que o pai dele está gravemente doente. E, no primeiro jogo profissional de que participa, o time de Fawzi e Mahmoud sofre uma goleada de 6 x 0! 


No crédito de encerramento, o diretor agradece aos rapazes que filmou tratando-os como amigos. Este é, ostensivamente, o tema do documentário: a força do companheirismo. Mesmo quando estão separados, Fawzi e Mahmoud conversam diariamente, exceto quando a internet fica indisponível no campo de refugiados ou quando possíveis namoradas requisitam atenções particulares. Na primeira parte do filme, o diretor obtém belíssimos enquadramentos crepusculares, com os meninos à contraluz, que são gradualmente substituídos por planos mais abertos, solares. "Se eu precisar voltar ao campo de refugiados, me dedicarei bem mais aos estudos", proclama Fawzi, que torna-se um esforçado treinador local de futebol. É uma conquista razoável, que comprova que a esperança dos rapazes não foi vã. Isso ilumina, transmuta em ganhos palpáveis o que é metaforizado pela ótima direção de fotografia!



Wesley Pereira de Castro.